Histórias Perdidas da Lusitânia

 
 
 
 

 

 

  O Veneno de Ofiúsa  

Chegou o tempo há muito anunciado em que os deuses deverão deixar a Terra e entregar o seu destino às mãos dos homens, mas alguns recusam-se a fazê-lo desencadeando conflitos entre os humanos e até entre as divindades.

É neste cenário que dois jovens guerreiros, Anio e Camal, percorrem a Galécia e a Lusitânia com a missão de encontrar o homem que deverá tornar-se o guardião da jóia da Deusa-mãe. Esta pedra, que encerra um poder capaz de aniquilar a força dos deuses, é procurada por homens, deuses e feiticeiras que pretendem com ela determinar o destino da Terra, numa aventura inspirada na história dos povos pré-romanos que habitaram o território português e nas divindades por eles veneradas.

 

 
 

 
 
   

Excerto de O VENENO DE OFIÚSA

 

"Cuidadosamente os dois amigos pegaram nas suas armas e espreitaram para fora da caverna. A chuva tornou-se ainda mais intensa, como se as próprias nuvens estivessem a despenhar-se sobre a terra, e o som daqueles passos pesados sobrepunha-se à chuva, atravessando-a e fazendo vibrar os grandes penedos.

Começaram a ver, a poucos passos dali, um homem alto, de roupas coloridas e brilhantes, usando um capacete dourado e uma grande lança que parecia ser feita de ouro e ao mesmo tempo tinha uma aparência sólida e letal. Estranhamente, a chuva e o vento que fustigavam o planalto, passavam por ele sem lhe tocar.

- Quem é? – perguntou Lupia, que se aproximou da entrada da caverna, por trás de Camal.

- É Debaroni, um deus da guerra – respondeu o Galaico, em voz baixa."