Histórias Perdidas da Lusitânia

 
 
 
 

 

 

 

As referências mais antigas à Península Ibérica encontram-se no poema “Ora Marítima”, de Avieno que, baseando-se em textos Fenícios do séc. VI a.C., nos dá notícia dos primeiros povos que habitaram a Hispânia. Segundo este autor ao ocidente da península chamava-se naquele tempo Estrímnia, por ser habitada pelos Estrímnios. Mais tarde chegaram os Sefes, que expulsaram os Estrímnios e passaram a dominar o território a norte do Sado, ao qual deram o nome de Ofiusa. Perto dos Sefes viviam os Cempsos e os Draganos. A sul do Tejo situava-se o território dos Cinetes ou Cónios e, mais para sudeste, ficava o reino de Tartessos.

Referindo-se a uma época mais recente, Estrabão na sua “Geografia” dá-nos conta que os Lusitanos, o mais poderoso dos povos ibéricos, habitavam entre o Douro e o Tejo. Este povo de hábitos rudes dormia no chão, alimentava-se de carne de bode e pão feito a partir de farinha de bolotas e praticava sacrifícios humanos durante os quais examinavam as vísceras das vítimas para predizer o futuro. O território a norte do Douro era habitado pelos Galaicos, cujos costumes eram muito semelhantes aos dos Lusitanos. Entre o Tejo e o Guadiana viviam os Célticos, povo que era provavelmente resultante do cruzamento de tribos Celtas com populações indígenas. Mais a sul, viviam os Cinetes ou Cónios, povo cuja cultura demonstrava uma forte influência mediterrânica.

Estes povos deixaram-nos inúmeras referências, ainda que pouco pormenorizadas, aos seus deuses. Estas divindades eram veneradas por vezes num único povoado, outras vezes numa área geográfica um pouco mais alargada, ainda assim nenhum destes cultos ultrapassava um carácter local ou regional.

Deixaram-nos também vestígios materiais da sua passagem: castros e santuários, entre outros monumentos. Estas construções assumem quase sempre uma aparência simples e rude, mas em contrapartida surgem na maior parte das vezes enquadrados por paisagens magníficas, como é o caso do Castro da Fraga da Pena ou do Santuário da Rocha da Mina, entre muitos outros exemplos.